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Quanto tempo uma vaga fica aberta e quanto custa a cadeira vazia

person Consultor HUNT RH - calendar_today 5 de outubro de 2026
Quanto custa manter uma vaga aberta por 60 dias — HUNT RH

Toda empresa sabe quanto custa contratar. Poucas sabem quanto custa não ter contratado.

O custo da contratação está na planilha: honorários, anúncio, horas do RH, exame admissional. É visível, é aprovado, e por isso é o número que entra em discussão quando alguém pergunta se vale a pena acelerar um processo.

O custo da vaga aberta não está em planilha nenhuma. Ele aparece disfarçado  como uma entrega que escorregou, uma meta revista no meio do trimestre, um pedido de hora extra, uma pessoa boa que pediu demissão dizendo que estava cansada.

Este texto é sobre como calcular esse segundo número. Porque na maior parte dos casos ele é maior. E, diferente do primeiro, ele cresce todo mês.

Primeiro: quanto tempo uma vaga realmente fica aberta

A percepção interna quase sempre subestima. Quem acompanha o processo de perto sente que “faz umas semanas”; quando se olha a data de abertura, são dois meses e meio.

Nós medimos isso na prática. Em tecnologia : a área onde acompanhamos as vagas publicadas no mercado dia a dia : uma em cada quatro vagas ativas está aberta há mais de 60 dias, e uma em cada sete passou dos 90. O detalhe mais revelador não é o tempo: é que vagas de nível pleno travam praticamente na mesma proporção que vagas de especialista. Se a causa fosse falta de gente qualificada, a diferença seria enorme. Não é.

Detalhamos esses números, com metodologia aberta, no estudo publicado no site da HUNT IT: Sua vaga de tecnologia está aberta há 60 dias. O problema não é o mercado.

Tecnologia é o caso mais agudo, mas não é um caso isolado. A mesma dinâmica aparece em posições de liderança industrial, em finanças sênior e em qualquer função onde o profissional que resolve o problema já está empregado e não está procurando.

A conta da cadeira vazia

Quatro componentes. Nenhum deles exige sistema.

1. O que a posição deveria gerar.
Para uma função com resultado mensurável (vendas, produção, cobrança), é o mais direto: a meta mensal da posição. Para funções de suporte ou engenharia, use uma aproximação conservadora: o custo total mensal da posição (salário mais encargos, algo em torno de 1,8 vez o salário) é o piso do valor que ela deveria gerar. Empresa nenhuma contrata para empatar.

2. O custo de quem está cobrindo.
A vaga vazia não deixa o trabalho parado: ele foi distribuído. Estime quantas horas por semana outras pessoas estão gastando no que seria daquela posição, e multiplique pelo custo-hora delas. É aqui que a conta costuma surpreender: três pessoas cobrindo seis horas por semana cada custam mais que o salário de quem falta  e cobrindo mal, porque não é o trabalho delas.

3. O atraso que gerou atraso.
Nem toda vaga tem isso, mas quando tem, domina a conta. Um projeto que escorregou um trimestre porque o time estava incompleto custa o resultado do trimestre, não o salário de um mês.

4. O risco de perder mais alguém.
O mais difícil de estimar e o mais caro quando acontece. Sobrecarga prolongada é uma das causas mais comuns de saída de gente boa  e aí você tem duas vagas abertas, sendo que a segunda é de alguém que conhecia a operação.

Some os quatro e divida por 30. Esse é o custo de cada dia que a vaga continua aberta. Compare com o custo de ter resolvido no primeiro mês.

Na maior parte dos cenários que já calculamos com clientes, dois meses de cadeira vazia superam o custo de ter contratado ajuda para preenchê-la logo no início. E a diferença não é apertada.

Por que os processos travam

Três causas explicam quase tudo o que vemos. Nenhuma delas é “o mercado”.

O perfil pedido não existe na faixa oferecida. É o caso mais comum e o mais fácil de corrigir, desde que alguém compare o descritivo com o que o mercado realmente pratica, em vez de comparar com o que a empresa pagou na última vez. O salário médio de admissão no país segue subindo acima da inflação: 1% real em doze meses até agosto, segundo o Caged. Parece pouco, mas é média de todo o mercado: nas posições disputadas a diferença é bem maior, e uma referência de um ano atrás já está defasada.

O processo é mais lento que a decisão do candidato. Um profissional que decide se mover resolve em duas a três semanas. Processos com quatro etapas e uma semana de intervalo entre elas perdem por tempo, não por proposta. E o candidato raramente diz que foi isso.

O canal está errado. Anúncio alcança quem procura. Em posições de média e alta senioridade, quem resolve a vaga está empregado, entregando, e não está olhando página de carreiras. Com o desemprego em 5,3% e 39,5 milhões de pessoas com carteira assinada no setor privado (o maior contingente da série do IBGE), o profissional que você quer não está disponível: está ocupado. Isso não se resolve anunciando melhor. Resolve-se indo buscar.

Vale lembrar que cada cargo trava por um motivo diferente, e o que destrava um não destrava o outro. Reunimos o que muda de uma posição para outra na biblioteca de contratação por cargo da HUNT.

O que fazer esta semana

Antes de trocar de fornecedor ou aumentar a faixa, três verificações que custam uma hora:

Descubra a data real de abertura de cada vaga em aberto. Não a data em que o anúncio foi republicado, mas a data em que a necessidade surgiu. Ordene da mais antiga para a mais nova. A conversa muda quando o número aparece.

Calcule a conta da cadeira vazia para a mais antiga delas. Uma só. É esse número que autoriza qualquer decisão seguinte, inclusive a de não fazer nada.

Separe o obrigatório do desejável no descritivo. Se a lista de obrigatórios tem mais de cinco itens, ela não é uma lista de requisitos. É uma carta de intenções, e está filtrando gente que daria conta.

Quando faz sentido buscar ajuda

Nem sempre faz. Se a sua empresa contrata duas ou três posições por ano e o RH tem espaço na agenda, resolver internamente costuma sair mais barato, e nós dizemos isso quando é o caso.

Faz sentido quando a vaga já passou de dois meses, quando quem você precisa não está se candidatando, ou quando o time que deveria entrevistar já não tem agenda para isso.

Se alguma das três descreve o seu momento, descreva a posição para a gente. Devolvemos uma leitura franca do que está travando, com ou sem proposta no fim.

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